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A ONDA

O filme A Onda é baseado em uma experiência real. Uma experiência pedagógica feita por um professor nos Estados Unidos em 1967, em Palo Alto, Califórnia. A experiência virou livro. Vários diretores americanos quiseram levar a história para a tela mas, ele só concordou que a história fosse contada por um diretor alemão e que fosse ambientada na Alemanha atual. Uma curiosidade: hoje, ele ensina poesia.

Feito originalmente para a televisão, o filme é imperdível sob todos os aspectos. É bem feito, bem dirigido, com atores jovens e talentosos, com uma trilha sonora poderosa com o melhor do punk rock com EmptyTrash, JanPlewka, TheSubways, Johnossi, Kilians e o clássico “Rock 'n' Roll High School” escrita pelos Ramones e interpretada por EL*KE. E o mais importante: trata-se de um tema que interessa a toda a humanidade.

O professor de história Burt Ross explica aos seus alunos a atmosfera da Alemanha, em 1930 e a ascensão do nazismo. Os questionamentos dos alunos levam o professor a realizar uma arriscada experiência pedagógica que consiste em reproduzir na sala de aula o ambiente ideal para o nsacimento de um regime totalitário. Com a sala toda engajada no projeto, os alunos criam um uniforme, um slogan, um símbolo, etc e aí começa a loucura...

O professor Ross se declara o líder do movimento da”onda” exorta a disciplina e faz valer o poder superior do grupo sobre os indivíduos. Os estudantes o obedecem cegamente. A tímida recusa de um aluno o obriga a conviver com ameaças e exclusão do grupo. A escola inteira é envolvida no fanatismo d’A onda até que uma aluna mais consciente alerta ao professor ter perdido o controle da experiência que exprapola o ambiente escolar e dita as normas de comportamente de um grupo em detrimento dos demais.

O desfecho do filme, mais trágico do que aconteceu na realidade faz o professor desmascarar a ideologia totalitária que sustenta o movimento d’A onda e denuncia aos estudantes o desaparecimento da crítica diante de poder carismático de um líder e do fanatismo por uma causa.

O mais impressionante no filme A Onda é a sua atualidade. Continua sendo atual o discurso do professor Ross, proferido no final de “A onda”:

“Vocês trocaram sua liberdade pelo luxo de se sentirem superiores. Todos vocês teriam sido bons nazi-fascistas. Certamente iriam vestir uma farda, virar a cabeça e permitir que seus amigos e vizinhos fossem perseguidos e destruídos. O fascismo não é uma coisa que outras pessoas fizeram. Ele está aqui mesmo em todos nós. Vocês perguntam: como que o povo alemão pôde ficar impassível enquanto milhares de inocentes seres humanos eram assassinados? Como alegar que não estavam envolvidos. O que faz um povo renegar sua própria história? Pois é assim que a história se repete. Vocês todos vão querer negar o que se passou em “A onda’. Nossa experiência foi um sucesso. Terão ao menos aprendido que somos responsáveis pelos nossos atos. Vocês devem se interrogar: o que fazer em vez de seguir cegamente um líder? E que pelo resto de suas vidas nunca permitirão que a vontade de um grupo usurpe seus direitos individuais. Como é difícil ter que suportar que tudo isso não passou de uma grande vontade e de um sonho”.

Sinopse: Um professor do ensino secundário encarrega os seus alunos de levarem a cabo uma experiência fora do comum, sobre como é viver num regime ditatorial. A experiência começa a atingir proporções inesperadas quando é formada uma unidade social com vida própria.



Escrito por Lio às 21h42
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SYLVIA PATRICIA E FERNANDO MARINHO

Show maravilhoso dos meus amigos  Sylvia Patrícia e Fernando Marinho ontem na Sala do Coro e o lindo DVD é uma opção ótima para presente de Natal. Por falar nisso, tenho a impressão de que novembro já era. Nem bem começou e todo mundo só fala nas festas de Natal, onde vai ser o reveillon, as férias e os prédios de Salvador já estão com a decoração natalina, inclusive o meu. Antes eu implicava com a alta ansiedade mas agora estou achando ótimo e já estou no clima, escolhendo a agenda 2010 e fazendo lista de presente. É que o tempo realmente está acelerado. Como diz minha amiga Mara na quarta feira de cinzas: "daqui a pouco é carnaval..."

SYLVIA PATRÍCIA E FERNANDO MARINHO LANÇAM O DVD
“SESSÃO EXTRA” COM SHOW GRATUITO NA SALA DO CORO

A cantora e compositora Sylvia Patrícia e o ator e músico Fernando Marinho voltam a dividir o mesmo palco no show de lançamento do DVD “Sessão Extra”, com apresentação única na Sala do Coro do Teatro Castro Alves, segunda-feira, dia 9 de novembro, às 20 horas, com entrada franca (os ingressos serão retirados na bilheteria até a lotação da plateia). O espetáculo tem formato acústico e foi estruturado com arranjos especiais para voz, violão, acordeon e elementos percussivos. No repertório, os dois artistas baianos reuniram canções (algumas como link) que têm significados emocionais, de lugar e de época, para cada um deles, incluindo tango, baião, bolero, standards nacionais e internacionais, como “Piano in the dark” e “Fumando espero”, clássico da cantora espanhola Sarita Montiel; releituras da MPB, com músicas de Tom Jobim, Chico Buarque, Dorival Caymmi, Gilberto Gil e Carlinhos Brown, e composições autorais, incluindo sucessos da cantora, como “Namoradeira” e “Marca de amor não sai.” Os exemplares do DVD - que terão distribuição nacional pela Tratore – estarão disponíveis para o público que comparecer ao show, com preço especial.

Noite de comemoração - O show “Sessão Extra” foi selecionado pelo Projeto Circuladô Cultural da Fundação Cultural do Estado, e teve duas temporadas de sucesso de público e crítica, nos anos de 2003 e 2004. Na estreia, no Teatro Gregório de Mattos, foi gravado o DVD do espetáculo, que agora será lançado, com esta nova e única apresentação de Sylvia Patrícia e Fernando Marinho, juntos no mesmo projeto. O show é um encontro inusitado entre os dois artistas. “Na verdade, será uma noite de comemoração, por termos conseguido fazer um registro raro, um encontro difícil de acontecer porque desenvolvemos carreiras distintas e muito corridas”, diz Sylvia. “E o mais curioso”, completa Fernando, “este é o primeiro DVD, tanto de Sylvia quanto meu”. Marinho garante o tom descontraído de “Sessão Extra” com insights bem-humorados e divertidos.

SYLVIA PATRICIA - Instrumentista, cantora e compositora muito conhecida do público, e não só baiano, pois esteve nas paradas de sucesso de todo o país por muitas vezes, com canções como “Mil Pedaços e Crac!”, “Marca de Amor não Sai”, “Cantar” (em dueto com Caetano Veloso) “Namoradeira”. “Não Quero Saber Seu Nome”, de 2006, tocou em rede nacional na Nova Brasil FM. “Tente Viver Sem Mim”, seu 3º CD, foi lançado também no Japão, e teve a música “Outro inverno” incluída em três coletâneas internacionais de MPB : na Inglaterra ( CDs Brazil - the Essential Álbum e Bossa Nova Nights ambos da Gravadora Union Square – selo Manteca Records, e na Itália CD “Outro Brazil” da gravadora Halidon-SRL. Recentemente voltou às paradas com “Amor é..”, música do seu 5º disco, “No Rádio da Minha Cabeça”, lançado em 2006. Com um trabalho já consagrado na linha MPB pop, Sylvia conta com um público cativo e assíduo nas suas apresentações. Encontra-se atualmente em processo final de produção de seu sexto álbum, “Andante”, com lançamento previsto para logo depois do Carnaval, prometendo novas surpresas.

FERNANDO MARINHO - Ator, diretor de teatro, pianista e arranjador tem, ultimamente, seu trabalho mais voltado às artes cênicas, participando de diversas montagens e direção na Bahia. Conhecido em todo o país como ator pelo sucesso da comédia “A Bofetada”, da Cia Bahiana de Patifaria, que ficou em cartaz por mais de dez anos, e também com a peça “As Noviças Rebeldes”, dirigida por Wolf Maia, com a qual percorreu várias capitais brasileiras, vem retomando cada vez mais seu desempenho como pianista, inclusive porque já realizou projetos consagrados como instrumentista, a exemplo de “Nove e Meia Semanas de Piano” e “Pianoforte”, além da participação em CDs e shows de diversos artistas baianos, sendo hoje ainda, juntamente com o maestro Zeca Freittas, curador do importantíssimo Festival de Música Instrumental da Bahia.

Fonte: Site do Teatro Castro Alves



Escrito por Lio às 12h55
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VALE A PENA SER CRIMINOSO

Publicado na edição de  8 de novembro de 2009 do jornal A Tarde.

Reprodução autorizada pelo autor.

Hélio Pólvora

 

Os criminosos no Brasil gozam de grandes regalias em relação a suas vítimas. A estas e suas famílias resta o consolo das lágrimas e o desabafo inicial do desespero. Já o criminoso, se preso e condenado, aguarda a passagem do tempo, certo de que, dentro em pouco, segundo o benevolente sistema de progressão da pena, voltará à rua e aos maus instintos.

Fui alertado sobre a existência de uma legislação que concede, incrível como pareça, auxílio-reclusão. Alguém que receba vale-gás, vale-transporte e outros benefícios, e tenha cadastro no Bolsa Família, Fome Zero e programas assistenciais afins, poderá habilitar-se à prática de um delito, homicídio ou crime hediondo, e pedir auxílio-reclusão.

Quem, na sua ausência, enquanto cumpre pena carcerária (desde que não seja em regime fechado ou semi-aberto), cuidará da sua família? Ora, as mesmas pessoas que pagam as despesas de hospedagem, vestuário, alimentação e outras. Ou seja: nós, os sangrados contribuintes. Alguém da nossa família foi, por exemplo, assaltado, mutilado ou morto — e ainda assim pagaremos auxilio reclusão de R$ 752,12 ao nosso algoz. Pasmem, mas é verdade. Para maiores detalhes, consultem a lei federal 8.213. de 24.7.1991, o decreto federal 3.048, de 6.5.1999 e a instrução normativa do INSS nº 20, de  10.10.2007. Mais a portaria 48, de 12.2.2009, do INSS.

O auxílio-reclusão é quase o dobro do valor do salário míniimo de um trabalhador normal. Agasalha o cônjuge, os filhos, os irmãos, os pais. os menores tutelados e enteados do condenado. A família inteira de dependentes. E para a família das vítimas? Nada. Quem é vítima que se dane de vez.

É bom ser criminoso no Brasil. A família fica protegida e o criminoso, tranquilo na cela, tem a oportunidade de comandar pelo telefone móvel negócios relativos a tráfico de drogas e outras misérias. Está escudado nos direitos humanos.

O Congresso está mexendo no estatuto da progressão da pena, para dificultar (é o que alega) o relaxamento da prisão carcerária. Devia ir fundo, acabar com o estímulo ao crime. Mas o Congresso, na pauta das reformas, come  pelas beiradas. 

 

Hélio Pólvora é escritor e colunista do jornal A Tarde.



Escrito por Lio às 16h08
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NACHO FIGUERAS

   

Para compensar o M.L. (momento lésbico) abaixo, nada melhor do que Nacho Figueras, jogador de pólo da Argentina, garoto propaganda do perfume Pólo de Ralph Lauren que está conquistando a América. Apareceu no programa da Oprah, ofuscando tudo e todos, e até, no primeiro episódio da terceira temporada de Gossip Girl, seriado ótimo. Segundo os sites especializados, vai participar da trama como ele mesmo e vai ter um caso com Serena (Blake Lively). Sortuda.

É considerado o segundo homem mais bonito do mundo, ficando atrás do ator Robert Pattison, da saga adolescente Crepúsculo que, vamos combinar, não conta.



Escrito por Lio às 16h12
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DITA VON TEESE

A stripper mais famosa do mundo, Dita Von Teese, fez uma apresentação em São Paulo essa semana, numa boate, com o seu show dentro de uma taça de Martini gigante. Gostaria de ter visto. Ela é linda e classuda. E esquisita: foi casada com ninguém menos do que Marilyn Mason (!!),  roqueiro que pinta as unhas (de preto!), usa batom e salto alto. Pode ter sido puro marketing.Que ela é uma das mulheres mais lindas do mundo, não há dúvida.



Escrito por Lio às 15h56
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GIGANTE

Premiado filme uruguaio sobre um segurança de supermercado que se apaixona por uma faxineira que trabalha no mesmo local. Ele a monitora pelo circuito interno de TV e a segue pelas ruas sem coragem para se aproximar.

Segundo o diretor, Adrián Biniez, argentino radicado no Uruguai, é um filme sobre o romantismo masculino e se baseia numa certa timidez masculina pós adolescente. Não sei se existe um romantismo feminino e outro masculino. Acho que existe o romantismo. Principalmente impulsionado pelo cinema, é consumido por homens e mulheres indiscriminadamente como um produto qualquer. E o conceito do que é romântico é individual, evidentemente.

O gigante é um homem solitário, sem vida social, ignorante, grandalhão, bobalhão, infantilizado, sem cultura, tímido, inseguro, com dificuldade de comunicação mas apesar de tudo, ele tem um coração e se apaixona. E a segue com ternura. Enfim, um personagem sem nada de cativante nem de interessante.

O interessante sobre o filme é que é do Uruguai, país que faz, apenas, cerca de dez filmes por ano, ganhou o Urso de Prata do Festival de cinema de Berlim e o ator que faz o gigante do título é um comediante de Stand up, Horacio Camadulle, que se apresenta em bares e restaurantes de Montevidéu.

O filme tem a vantagem de ser curtinho. O que gosto muito. Admiro o poder de síntese em qualquer situação especialmente no cinema. Vale a pena ver para prestigiar o cinema uruguaio e para tirar suas próprias conclusões sobre o “romantismo masculino”.

Sinopse: Jara (Horacio Camandule) é um tímido segurança de supermercado, que descobre Julia (Leonor Svarcas) pelas câmeras de vigilância. Ela trabalha como faxineira no local e passa a ser acompanhada por Jara. Apaixonado por ela, o segurança passa a conduzir sua vida em torno da rotina de Julia e seu desejo em conhecê-la.



Escrito por Lio às 15h37
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UMA CANÇÃO DE AMOR

 

O filme ‘Uma canção de amor’  é sobre a amizade entre duas meninas, adolescentes, uma judia e outra muçulmana. É um lindo filme porém,  situado DURANTE  a Segunda Guerra. Não gostei desse detalhe. Não suporto mais filmes que tenham qualquer referência, por menor que seja, a esse período da história. Para mim, já foi dissecado totalmente e espremido tudo sobre esse assunto. Não vi Bastardos Inglórios de Quentin Tarantino. Dizem que é ótimo Provavelmente irei ver pois a curiosidade é maior do que a saturação com o tema.

O conflito entre judeus e muçulmanos é muito mais antigo do que a Segunda Guerra e se acirrou depois da guerra com a criação do Estado Judeu.

De todo modo, é um filme sobre o amor, a cumplicidade e a amizade feminina.

Sinopse: No ano de 1942, as jovens Myriam e Nour vivem em harmonia na Tunísia, apesar de uma ser judia e a outra muçulmana. Com 16 anos de idade, as duas vivem na mesma casa e compartilham de uma grande amizade. Mesmo assim, uma deseja ter a vida da outra. Enquanto Nour, gostaria de estudar como Myriam, esta sente inveja do noivado da amiga, com o primo Khaled.

Porém, quando as tropas nazistas invadem o país, as coisas mudam para as amigas. Para se livrar da ameaça inimiga, os muçulmanos acabam aceitando entregar os judeus para o exército alemão. A partir de então, Tita, mãe de Myriam perde seu emprego e não tem mais como sustentar a filha. Agora, contra todos os seus sonhos, a garota terá de casar com um rico médico, a única chance de salvar a família das dívidas.

Com direção e roteiro de Karin Albou, a co-produção entre Tunísia e França, Uma canção de amor retoma o tema do filme anterior da cineasta, Pequena Jerusalém, a relação entre judeus e muçulmanos. A cineasta também participa do longa no papel de Tita.



Escrito por Lio às 13h16
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O SÁRI VERMELHO

De volta para a Índia com Javier Moro o mesmo autor de Paixão Índia. O fascínio e a curiosidade sobre a Índia não tem fim. Dessa vez, para conhecer a história de alguém de quem tenho conhecimento há muito tempo: Sonia Gandhi, a italiana que largou a família e o país e casou com o filho de Indira Gandhi. O livro é sobre a história dela mas quem rouba a cena é Indira e os bastidores da política, esse mundo distante que a maioria das pessoas detesta mas que visto de perto é impressionante.

Como leio jornais e revistas desde os onze anos de idade e sempre tive curiosidade pelo que acontecia pelo mundo, acompanhei a carreira de Indira e notícias e reportagens sobre a Índia e  lembro até das imagens da morte dela. Assim como, lembro perfeitamente de como lamentei a morte do filho e marido de Sonia, Rajiv. Não por causa das qualidades como homem público e ex primeiro ministro mas porque além da violência absurda e covarde, era um homem bonito e interessante e como boa libriana heterossexual e fiel ao meu signo, sempre lamento a perda de homens bonitos e interessantes. Como todos sabem, a vida é bela mas injusta e tem mais mulheres do que homens no mundo. Tá bom vai, menos na China mas poxa, na China?

Adorei conhecer a intimidade de Indira Gandhi e em certa medida, conhecendo como funcionava a política na Índia sob o comando dela, entendemos como funciona a política no seu âmago e entendemos até Lula e Obama!

O livro percorre um período importante da história da Índia e a história da Índia é parte fundamental da história da humanidade.

Sobre Sonia, não acredito que é a santa altruísta que o livro descreve. Alguma ambição ela tinha e tem, nem que seja ser santa. E está quase conseguindo. É mesmo incrível que a Índia não tenha se desintegrado e não viva numa guerra civil permanente. Visto sob a perspectiva do livro, o trabalho político dela que, aliás, começou assim que chegou ao  país do marido, foi admirável e teve como mestra uma expert com aulas diárias. Não admira que tenha se saído tão bem.

A parte chata do livro são as insistentes referências ao amor incondicional e incomensurável do casal, a ele ser o homem perfeito, ela ser a dona de casa perfeita, o casamento perfeito, os filhos perfeitos, a sogra perfeita –para ela, Sonia – e o fato de que o casal não queria entrar na política. Achei exagerado e forçado. Mas enfim, é uma biografia romanceada.

Também não acredito que Indira, o filho, ela e todos os outros políticos AMAVAM e AMEM  o contato direto com o povo como ela faz crer no livro. Acho que para obter votos, eles se SUBMETEM mas no fundo detestam.

 

Livro imperdível.

 

Ah! Não vi nenhum capítulo de Caminhos da Índia. Detesto novela.

 

Sinopse

Em 1965, Sonia Maino, uma estudante italiana de dezenove anos, conhece em Cambridge um jovem indiano chamado Rajiv Gandhi. Ela é filha de uma família humilde dos arredores de Turim; ele pertence à estirpe mais poderosa da Índia. É o princípio de uma história de amor que nem sequer a morte será capaz de quebrar. Aos 20 anos, Sonia abandona o seu mundo e o seu passado para se fundir com o novo país, a Índia prodigiosa que adora vinte milhões de divindades, que fala oitocentos dialetos e que vota em quinhentos partidos políticos.

Através do seu olhar, o leitor atravessará a história da Índia independente, no seio da família Nehru-Gandhi. Mulher de um homem que não ambicionava o poder mas que se viu obrigado a assumi-lo, nora de Indira, a primeira mulher que governou a Índia, Sonia assistiu às manobras de bastidores, às traições políticas e às grandes tragédias.

Desde sempre hostil à vida política, que lhe roubaria a tranqüilidade e a família, Sonia Gandhi tornou-se uma das grandes figuras da política indiana. Chamada pela história, depois de perder a sogra e o marido em episódios violentos, a italiana que abandonou a Europa sem nenhuma pretensão política, tomou a vanguarda da vida política do país que abraçou por amor. Herdeira de um destino que não escolheu e dificilmente imaginou, esta é a vida da mulher que encarnou as esperanças de mil e duzentos milhões de pessoas no país do Mahatma Gandhi.

 



Escrito por Lio às 10h38
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PARIS

Paris, a cidade, é considerada a mais linda e, segundo a Organização Mundial de Turismo, a mais visitada do mundo. Cerca de 27 milhões de pessoas  a visitam por ano e se encantam com a história, os monumentos, a gastronomia, a moda, as compras, o charme, a língua e tudo o mais. É a cidade luz, objeto de desejo de todos. O filme Paris é tão encantador quanto. É uma declaração de amor a cidade e aos moradores. Eu adorei e recomendo. Na impossibilidade de ir até Paris, vale a pena ir ao cinema e ter uma pequena amostra do cotidiano da cidade e seus personagens fictícios mas perfeitamente identificáveis com pessoas normais de qualquer cidade com seus dramas, alegrias, conquistam e amores. Uma delícia de filme.

Sinopse: Pierre (Romain Duris) é um professor de dança, com problemas cardíacos. Enquanto aguarda por um transplante, ele observa o dia-a-dia da capital francesa da varanda de seu apartamento. E nem mesmo a chegada de sua irmã Élise (Juliette Binoche) e seus três sobrinhos parece abalar sua rotina.



Escrito por Lio às 10h36
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O COMPLEXO DE PORTNOY

O livro O complexo de Portnoy de Philip Roth não é apenas divertido e sensacional, mas genial. Sempre tive curiosidade em relação ao autor porém, nunca tinha tido a oportunidade de ler nenhum dos livros dele. Esse é o primeiro. Na verdade, curiosidade e uma certa desconfiança pois tenho uma pequena, e às vezes grande, desconfiança quando a mídia cerca uma pessoa de mimos e diz que tal pessoa é cool!Quando se trata de um escritor a bajulação às vezes é bem nojenta e desproporcional.

Mas no caso de Philip Roth, me dei mal, pois ele realmente é genial e cool. O livro é uma sessão de psicanálise freudiana de um homem judeu que tem fixação por bocetas. Não fixação por mulher, mas por bocetas. Divertidíssimo.

O livro foi escrito em 1969 no auge da revolução social e sexual que permeava todo um movimento de contestação aos valores da velha ordem.

No divã, Portnoy fala de sua infância, de sua mãe controladora, de seu pai subserviente e vendedor de seguros, de sua irmã inexpressiva e do ambiente repressor que marcou sua infância e adolescência e das descobertas do sexo.

O livro parece, todo ele, uma piada de judeu e tem passagens engraçadíssimas mas também desperta compaixão pois o advogado judeu Alex Portnoy vive em conflito entre a razão e o desejo, entre ser um bom menino judeu e um homem livre das amarras sociais e familiares.

Eu AMEI esse livro. Por causa dele, descobri que minha mãe é judia!! Aliás, como alguém escreveu na Folha esses dias, não lembro quem, e o meu computador está tão ruim que não me permite pesquisar, a mãe baiana ainda não foi devidamente estudada e eu, particularmente tenho dúvida se a mãe judia é páreo para ela. Para a minha, pelo menos, não é. A minha está pau-a-pau (com perdão da má e ótima palavra) com a mãe da personagem. Ou seja: minha mãe é uma personagem! Não que a gente já não soubesse...

Trechos

"Afinal , eu pergunto, para que serviam todas aquelas proibições e regras alimentares, se não para nos ensinar – a nós criancinhas judias – a nos reprimirmos? Uma questão de prática, meu bem, prática, prática, prática. Inibição não dá em árvore, você sabe – precisa de paciência, concentração, uma mãe dedicada, com espírito de sacrifício, e uma criança esforçada e atenta, para criar, em apenas uns poucos anos, um ser humano realmente reprimido e cagão."

"Pois, se minha mãe, só para lembrar o senhor, quando voltei de minha aventura na Europa no verão passado, me saudou ao telefone assim: “E então, como está o meu namorado?” Ela me chama de namorado, quando o marido está escutando na extensão! Não, com essa gente não precisa ficar escavando as profundezas – o inconsciente delas está estampado na testa!"

"Mas quem, algum dia, ganhou uma discussão com um pau duro? Quando a pica se levanta, o cérebro se enterra no chão! Quando a pica salta, o cérebro fica praticamente morto!"

"Que trepada fantástica! Que golpe de sorte! E ainda por cima agora percebo que ela é um ser humano – sim, tudo indica que ela talvez seja! Um ser humano! Que pode ser amado!"



Escrito por Lio às 14h45
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AMANTES

Eu gostei do filme “Amantes”. Não é maravilhoso. Mas é um bom filme. Gosto de Joaquim Phoenix. Acho um ótimo ator. E sexy. Porque faz papéis de homens perturbados, inquietos, problemáticos... talvez  ele mesmo.  E quem não gosta de um (ou uma) problemático? Todo mundo. A gente gosta porque quer consertar. Temos isso de consertar. Não apenas mudar a pessoa ou o mundo. Mas, consertar. Pegamos um interesse por um cara que se veste mal apenas para fazê-lo se vestir bem. Se ele aceita, perde-se o interesse. Se ele bate o pé e  não muda, não aceita “ser consertado” bom, aí é paixão total porque somos muito besta mesmo.

 

No filme, o personagem de Joaquim Phoenix é perturbado, inquieto, problemático, triste, desiludido, suicida, bipolar, depressivo enfim, um fofo...(hahahaha) e entre a mulher certinha aprovada pelos pais e a mulher linda mas maluca, vampira  energética e vampira sanguessuga ele se apaixona perdidamente por quem? Por quem? .... É claro que pela maluca que ele quer mudar e consertar. E salvar, evidentemente, porque a paixão também tem a pretensão de salvar dos perigos do mundo: da droga, do homem casado, da falta de dinheiro, dos problemas familiares, etc

 

É um clichê e no cinema é interessante. Vejo esse clichê repetir-se constantemente na vida real com pessoas que conheço. Homens principalmente. Essa coisa de salvar é bem masculina, eu acho. Nós, mulheres, queremos “apenas” mudar e se der, consertar. Colocar do nosso jeitinho. Não queremos salvar. Queremos ser salvas. Pelo príncipe encantado. Mas no Brasil estamos mal de príncipe. O homem que faz sucesso é José Mayer. Eu acho ele feio e cafona. Só a carência coletiva explica. Prefiro a beleza transtornada de Joaquim Phoenix e que é uma beleza duvidosa: afinal, é um feio que embeleza os personagens ou é um bonito que deixa os personagens feios interessantes? Ninguém sabe, é um mistério...

 

De concreto, é que ele apareceu horroroso no programa de Dave Letterman no início do ano, com uma barba enorme e desgrenhada, de óculos escuros, parecendo sujo e maltrapilho para divulgar esse mesmo filme e se recusou a responder perguntas que não fossem referentes ao filme, disse que era o último filme da carreira e que ia virar cantor de hip hop. Dei muita risada. Adorei. Já gostava dele por causa de Johnny and June em que ele fez o papel de Johnny Cash e virei a maior fã com a entrevista e claro, deu uma vontade básica de “conserta-lo”. Seria uma deliciosa empreitada. Ou um embate delicioso, para ser mais precisa.

 

Sinopse: Leonard Kraditor (Joaquin Phoenix) já tentou o suicídio diversas vezes. Ele não se recuperou do fim do noivado há dois anos, devido a uma doença, que ele e sua noiva possuíam, que faria com que seus filhos falecessem antes de completar um ano de vida. Seus pais, Reuben (Moni Moshonov) e Ruth (Isabella Rossellini), vivem preocupados com o filho e tentam fazer com que namore Sandra Cohen (Vinessa Shaw), filha de um casal amigo. Os dois se conhecem em um jantar na casa dos Kraditor, mantendo contato a partir de então. Dias depois Leonard conhece Michelle Rausch (Gwyneth Paltrow), sua vizinha, que está refugiada no corredor para evitar o mau humor de seu pai. Leonard oferece estadia em sua casa até que ele se acalme e logo demonstra interesse nela. Entretanto Michelle namora um homem casado, que sempre lhe promete que deixará a família mas nunca cumpre, e ainda tem problemas com drogas. Esta situação faz com que Leonard tenha que se decidir entre a paixão



Escrito por Lio às 12h18
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SEMPRE

      

Na vitória e na derrota.



Escrito por Lio às 22h04
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SLAM e DIVÓRCIO EM BUDA

          

Slam, livro do sempre divertido Nick Hornby é muito bom para quem é ou tem filho adolescente. Eu achei chato a maior parte do tempo, com uma ou outra coisinha interessante. Slam é a história de um adolescente fã de skate, daí o nome do livro que significa tombo na gíria do skate, que repete a história dos pais e vira pai adolescente.

Com todas as referências pop que o autor adora, o livro fica muito aquém dos trabalhos anteriores dele mas pode virar um bom filme, como os todos os outros.

Já Divórcio em Buda é um livro maravilhoso do maravilhoso Sándor Márai, mesmo autor de De verdade igualmente maravilhoso. Sándor Márai é uma descoberta recente e espero ler todos os livros dele. Sou capaz de aprender húngaro para não perder a oportunidade de vivenciar uma leitura que fala da alma humana de uma maneira simples e profunda. Ele tem uma escrita elegante, de uma melancolia sofisticada e nos apresenta um juiz, o juiz Kömives. Um homem íntegro, correto, honesto, imparcial, que reflete sobre o mundo as vésperas de uma guerra e sobre a decomposição da sociedade húngara dividida em Buda e Peste.

Conhecemos profundamente o juiz com a descrição minuciosa de Sándor Márai. Conhecemos e admiramos a força da sua convicção e as suas dúvidas. Um personagem mais do que interessante, um personagem fascinante.

O juiz está prestes a julgar o divórcio de um casal seu conhecido e o encontro dele com o marido é o centro do romance.

O impacto das revelações explica a angústia do personagem do juiz e o seu mal-estar existencial.

Livro excelente sobre as relações humanas e o mistério do amor.

Durante e depois da leitura tive inveja. Fiquei pensando que houve uma época em algum lugar do mundo, talvez até aqui mesmo, em que o juiz era alguém com uma missão: a missão de julgar os conflitos com imparcialidade. De ser um homem correto. Mais correto do que todo mundo, acima das vaidades, com um senso cívico do dever e a vontade de servir a sociedade com um salário modesto. Tive uma vontade enorme de comprar o livro e enviar de presente para Gilmar Mendes. Mas seria inútil, ele não se reconheceria como o contrário do juiz Kömives e tendo acompanhado pela TV a sessão que inocentou o ex-ministro Antonio Palocci, senti V.A. por ele. (V.A.=Vergonha alheia)

Trecho:

"Quem poderia fotografar, registrar, tatear o instante em que algo se rompe entre duas pessoas? Quando aconteceu? De noite, enquanto dormíamos? No almoço, enquanto comíamos? Agora, quando vim ao consultório? Ou muito, muito tempo atrás, apenas não percebemos? E continuamos a viver, a falar, a nos beijar, a dormir juntos, a procurar a mão do outro, o olhar do outro, como bonecos animados que continuam a se movimentar ruidosamente por um tempo, mesmo estando a mola do seu mecanismo quebrada... O cabelo e as unhas do morto continuam a crescer, talvez as células nervosas ainda sobrevivam quando os glóbulos vermelhos já estão mortos... Nada sabemos. O que posso fazer agora? Que refletor devo acender para encontrar nessa escuridão, nessa trama, aquele momento único, aquele milésimo de segundo em que algo cessa entre duas pessoas?"



Escrito por Lio às 18h32
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DARTANHAN

     

Gosto de cachorros. Na foto. De longe. Cachorro incomoda: late, lambe, cheira e morde. Acho que também fede. Fico tensa quando visito alguém que tem cachorro. Não relaxo. Mas, fui visitar uma amiga que não via há muito tempo em São Paulo na semana passada e ela tem um cachorro, o Dartanhan. Cheguei, ele cheirou e eu fiquei toda tensa tentando disfarçar. Dei o clássico desprezo. E ele ficou me olhando, olhando, encostou, fez graça, se exibiu, tentando me conquistar, totalmente entregue e  apaixonado! Assim, do nada. Fiquei tocada e emocionada e finalmente entendi quem tem cachorro. Acho que nunca chegarei a ter um mas, definitivamente Dartanhan foi a minha maior descoberta em anos e uma emoção que não sinto por nada nem ninguém há algum tempo. Obrigada Dartanhan, o lindo e fofíssimo cachorrinho de minha amiga Rosa Maria.



Escrito por Lio às 10h45
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CORAÇÃO VAGABUNDO

O documentário Coração Vagabundo sobre Caetano Veloso é maravilhoso. OK, OK, eu sou suspeita. Adoro Caetano. O filme não é sobre a vida dele. É sobre um momento apenas da vida dele. Um momento em que ele está viajando pelo mundo com um show e que se confessa triste e infeliz. Melancólico.Cada vez mais lindo e cantando melhor.

 

Gosto de Caetano desde o dia em que o vi pela primeira vez na TV justo quando ele apareceu no Festival de Música da TV Record. Sou antiga. Das antigas.

 

Ele é o maior compositor e cantor do Brasil. Para mim, ninguém canta o amor como ele. Na alegria e na tristeza do amor ele tem música para tudo.

 

E ele fala. Muito. Sobre tudo. Quem fala muito sobre tudo, fala besteira. Eu gosto disso porque é uma pessoa pública que se posiciona, que tem opinião, que se expressa, que não fica em cima do muro, que não foge dos questionamentos, que arrisca, que enfrenta, que sente, que ainda sente paixão pela polêmica, que não se acomodou, enfim... é Caetano.

 

Que além de compor e cantar, dirigiu um filme e escreveu um livro. O filme, Cinema Falado, é mais ou menos. Foi no auge da paixão por Paula. A insuportável Paula (ciúmes...). O livro, Verdade Tropical, é muito bom.

 

Caetano sempre esteve à frente do seu tempo. Sempre foi inovador e criativo. Sempre foi talentoso e teve coragem de experimentar novos caminhos. Sem medo das críticas. O trabalho atual pode não ser canções geniais como as do passado mas, são canções honestas que tocam o coração de maneira definitiva.

 

Coração Vagabundo é uma pequena exposição de Caetano. Lembrei de quando fui morar em Salvador e o vi pela primeira vez no verão. Lindo, uma aparição. A partir daí, passei a vê-lo em todos os lugares todos os verões. Aguardava ansiosamente os verões. O verão só começava quando ele chegava. Bons tempos. Ainda hoje o vejo nos lugares porque ele sempre vai a todos os lugares. Sempre foi. Sem seguranças. Sem afetação. Simplesmente sendo Caetano. Encantador.

 

Sobre o documentário, o diretor vendeu uma cena de Caetano nu. Mais, como sendo uma concessão de Paula, a generosa, a magnânima... É uma propaganda enganosa. Não é um nu frontal como eu e minhas amigas esperávamos. Aliás, esperamos até quase fechar o cinema. Na verdade, a cena é de lado e não aparece nada! Isso que dá confiar na generosidade de Paula...

 

Tudo bem. Já vi Caetano nu, no de livro de Vânia Toledo, fotógrafa paulista.

 

Mas é verdade que ele está nu no sentido de mostrar timidez e uma certa fragilidade. E está mais lindo do que nunca.

 

Imperdível para fãs.



Escrito por Lio às 16h54
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