Meu Perfil
BRASIL, Nordeste, SALVADOR, Mulher



Histórico


Votação
 Dê uma nota para meu blog


Outros sites
 Curso de Eventos
 Blog do Curso
 O Boletim
 Chiriro Tales
 Artes de Enzo
 Glamurama
 Banda Starla
 Banda Demoiselle
 Articultura
 El Cabong
 Pauta que Pariu
 Na Cocó
 Esquina da Música
 02 Neurônio
 Bruno Mazzeo
 Tutty Vasquez
 Kibe Loco
 MTV
 Te dou um dado
 Ricardo Cury - Para colorir
 Oprah's Blog
 As mil e uma borboletas
 Alice Elon
 Sintonia Fina com Nelson Mota
 Jornal O Cronista
 Caetano Veloso - Obra em Progresso
 Blog do PP
 Mandando Pra Rede
 Blog Ted Simões
 Tutty Gualberto


 
Blog da Lio


NACHO FIGUERAS

   

Para compensar o M.L. (momento lésbico) abaixo, nada melhor do que Nacho Figueras, jogador de pólo da Argentina, garoto propaganda do perfume Pólo de Ralph Lauren que está conquistando a América. Apareceu no programa da Oprah, ofuscando tudo e todos, e até, no primeiro episódio da terceira temporada de Gossip Girl, seriado ótimo. Segundo os sites especializados, vai participar da trama como ele mesmo e vai ter um caso com Serena (Blake Lively). Sortuda.

É considerado o segundo homem mais bonito do mundo, ficando atrás do ator Robert Pattison, da saga adolescente Crepúsculo que, vamos combinar, não conta.



Escrito por Lio às 16h12
[] [envie esta mensagem] []



DITA VON TEESE

A stripper mais famosa do mundo, Dita Von Teese, fez uma apresentação em São Paulo essa semana, numa boate, com o seu show dentro de uma taça de Martini gigante. Gostaria de ter visto. Ela é linda e classuda. E esquisita: foi casada com ninguém menos do que Marilyn Mason (!!),  roqueiro que pinta as unhas (de preto!), usa batom e salto alto. Pode ter sido puro marketing.Que ela é uma das mulheres mais lindas do mundo, não há dúvida.



Escrito por Lio às 15h56
[] [envie esta mensagem] []



GIGANTE

Premiado filme uruguaio sobre um segurança de supermercado que se apaixona por uma faxineira que trabalha no mesmo local. Ele a monitora pelo circuito interno de TV e a segue pelas ruas sem coragem para se aproximar.

Segundo o diretor, Adrián Biniez, argentino radicado no Uruguai, é um filme sobre o romantismo masculino e se baseia numa certa timidez masculina pós adolescente. Não sei se existe um romantismo feminino e outro masculino. Acho que existe o romantismo. Principalmente impulsionado pelo cinema, é consumido por homens e mulheres indiscriminadamente como um produto qualquer. E o conceito do que é romântico é individual, evidentemente.

O gigante é um homem solitário, sem vida social, ignorante, grandalhão, bobalhão, infantilizado, sem cultura, tímido, inseguro, com dificuldade de comunicação mas apesar de tudo, ele tem um coração e se apaixona. E a segue com ternura. Enfim, um personagem sem nada de cativante nem de interessante.

O interessante sobre o filme é que é do Uruguai, país que faz, apenas, cerca de dez filmes por ano, ganhou o Urso de Prata do Festival de cinema de Berlim e o ator que faz o gigante do título é um comediante de Stand up, Horacio Camadulle, que se apresenta em bares e restaurantes de Montevidéu.

O filme tem a vantagem de ser curtinho. O que gosto muito. Admiro o poder de síntese em qualquer situação especialmente no cinema. Vale a pena ver para prestigiar o cinema uruguaio e para tirar suas próprias conclusões sobre o “romantismo masculino”.

Sinopse: Jara (Horacio Camandule) é um tímido segurança de supermercado, que descobre Julia (Leonor Svarcas) pelas câmeras de vigilância. Ela trabalha como faxineira no local e passa a ser acompanhada por Jara. Apaixonado por ela, o segurança passa a conduzir sua vida em torno da rotina de Julia e seu desejo em conhecê-la.



Escrito por Lio às 15h37
[] [envie esta mensagem] []



UMA CANÇÃO DE AMOR

 

O filme ‘Uma canção de amor’  é sobre a amizade entre duas meninas, adolescentes, uma judia e outra muçulmana. É um lindo filme porém,  situado DURANTE  a Segunda Guerra. Não gostei desse detalhe. Não suporto mais filmes que tenham qualquer referência, por menor que seja, a esse período da história. Para mim, já foi dissecado totalmente e espremido tudo sobre esse assunto. Não vi Bastardos Inglórios de Quentin Tarantino. Dizem que é ótimo Provavelmente irei ver pois a curiosidade é maior do que a saturação com o tema.

O conflito entre judeus e muçulmanos é muito mais antigo do que a Segunda Guerra e se acirrou depois da guerra com a criação do Estado Judeu.

De todo modo, é um filme sobre o amor, a cumplicidade e a amizade feminina.

Sinopse: No ano de 1942, as jovens Myriam e Nour vivem em harmonia na Tunísia, apesar de uma ser judia e a outra muçulmana. Com 16 anos de idade, as duas vivem na mesma casa e compartilham de uma grande amizade. Mesmo assim, uma deseja ter a vida da outra. Enquanto Nour, gostaria de estudar como Myriam, esta sente inveja do noivado da amiga, com o primo Khaled.

Porém, quando as tropas nazistas invadem o país, as coisas mudam para as amigas. Para se livrar da ameaça inimiga, os muçulmanos acabam aceitando entregar os judeus para o exército alemão. A partir de então, Tita, mãe de Myriam perde seu emprego e não tem mais como sustentar a filha. Agora, contra todos os seus sonhos, a garota terá de casar com um rico médico, a única chance de salvar a família das dívidas.

Com direção e roteiro de Karin Albou, a co-produção entre Tunísia e França, Uma canção de amor retoma o tema do filme anterior da cineasta, Pequena Jerusalém, a relação entre judeus e muçulmanos. A cineasta também participa do longa no papel de Tita.



Escrito por Lio às 13h16
[] [envie esta mensagem] []



O SÁRI VERMELHO

De volta para a Índia com Javier Moro o mesmo autor de Paixão Índia. O fascínio e a curiosidade sobre a Índia não tem fim. Dessa vez, para conhecer a história de alguém de quem tenho conhecimento há muito tempo: Sonia Gandhi, a italiana que largou a família e o país e casou com o filho de Indira Gandhi. O livro é sobre a história dela mas quem rouba a cena é Indira e os bastidores da política, esse mundo distante que a maioria das pessoas detesta mas que visto de perto é impressionante.

Como leio jornais e revistas desde os onze anos de idade e sempre tive curiosidade pelo que acontecia pelo mundo, acompanhei a carreira de Indira e notícias e reportagens sobre a Índia e  lembro até das imagens da morte dela. Assim como, lembro perfeitamente de como lamentei a morte do filho e marido de Sonia, Rajiv. Não por causa das qualidades como homem público e ex primeiro ministro mas porque além da violência absurda e covarde, era um homem bonito e interessante e como boa libriana heterossexual e fiel ao meu signo, sempre lamento a perda de homens bonitos e interessantes. Como todos sabem, a vida é bela mas injusta e tem mais mulheres do que homens no mundo. Tá bom vai, menos na China mas poxa, na China?

Adorei conhecer a intimidade de Indira Gandhi e em certa medida, conhecendo como funcionava a política na Índia sob o comando dela, entendemos como funciona a política no seu âmago e entendemos até Lula e Obama!

O livro percorre um período importante da história da Índia e a história da Índia é parte fundamental da história da humanidade.

Sobre Sonia, não acredito que é a santa altruísta que o livro descreve. Alguma ambição ela tinha e tem, nem que seja ser santa. E está quase conseguindo. É mesmo incrível que a Índia não tenha se desintegrado e não viva numa guerra civil permanente. Visto sob a perspectiva do livro, o trabalho político dela que, aliás, começou assim que chegou ao  país do marido, foi admirável e teve como mestra uma expert com aulas diárias. Não admira que tenha se saído tão bem.

A parte chata do livro são as insistentes referências ao amor incondicional e incomensurável do casal, a ele ser o homem perfeito, ela ser a dona de casa perfeita, o casamento perfeito, os filhos perfeitos, a sogra perfeita –para ela, Sonia – e o fato de que o casal não queria entrar na política. Achei exagerado e forçado. Mas enfim, é uma biografia romanceada.

Também não acredito que Indira, o filho, ela e todos os outros políticos AMAVAM e AMEM  o contato direto com o povo como ela faz crer no livro. Acho que para obter votos, eles se SUBMETEM mas no fundo detestam.

 

Livro imperdível.

 

Ah! Não vi nenhum capítulo de Caminhos da Índia. Detesto novela.

 

Sinopse

Em 1965, Sonia Maino, uma estudante italiana de dezenove anos, conhece em Cambridge um jovem indiano chamado Rajiv Gandhi. Ela é filha de uma família humilde dos arredores de Turim; ele pertence à estirpe mais poderosa da Índia. É o princípio de uma história de amor que nem sequer a morte será capaz de quebrar. Aos 20 anos, Sonia abandona o seu mundo e o seu passado para se fundir com o novo país, a Índia prodigiosa que adora vinte milhões de divindades, que fala oitocentos dialetos e que vota em quinhentos partidos políticos.

Através do seu olhar, o leitor atravessará a história da Índia independente, no seio da família Nehru-Gandhi. Mulher de um homem que não ambicionava o poder mas que se viu obrigado a assumi-lo, nora de Indira, a primeira mulher que governou a Índia, Sonia assistiu às manobras de bastidores, às traições políticas e às grandes tragédias.

Desde sempre hostil à vida política, que lhe roubaria a tranqüilidade e a família, Sonia Gandhi tornou-se uma das grandes figuras da política indiana. Chamada pela história, depois de perder a sogra e o marido em episódios violentos, a italiana que abandonou a Europa sem nenhuma pretensão política, tomou a vanguarda da vida política do país que abraçou por amor. Herdeira de um destino que não escolheu e dificilmente imaginou, esta é a vida da mulher que encarnou as esperanças de mil e duzentos milhões de pessoas no país do Mahatma Gandhi.

 



Escrito por Lio às 10h38
[] [envie esta mensagem] []



PARIS

Paris, a cidade, é considerada a mais linda e, segundo a Organização Mundial de Turismo, a mais visitada do mundo. Cerca de 27 milhões de pessoas  a visitam por ano e se encantam com a história, os monumentos, a gastronomia, a moda, as compras, o charme, a língua e tudo o mais. É a cidade luz, objeto de desejo de todos. O filme Paris é tão encantador quanto. É uma declaração de amor a cidade e aos moradores. Eu adorei e recomendo. Na impossibilidade de ir até Paris, vale a pena ir ao cinema e ter uma pequena amostra do cotidiano da cidade e seus personagens fictícios mas perfeitamente identificáveis com pessoas normais de qualquer cidade com seus dramas, alegrias, conquistam e amores. Uma delícia de filme.

Sinopse: Pierre (Romain Duris) é um professor de dança, com problemas cardíacos. Enquanto aguarda por um transplante, ele observa o dia-a-dia da capital francesa da varanda de seu apartamento. E nem mesmo a chegada de sua irmã Élise (Juliette Binoche) e seus três sobrinhos parece abalar sua rotina.



Escrito por Lio às 10h36
[] [envie esta mensagem] []



O COMPLEXO DE PORTNOY

O livro O complexo de Portnoy de Philip Roth não é apenas divertido e sensacional, mas genial. Sempre tive curiosidade em relação ao autor porém, nunca tinha tido a oportunidade de ler nenhum dos livros dele. Esse é o primeiro. Na verdade, curiosidade e uma certa desconfiança pois tenho uma pequena, e às vezes grande, desconfiança quando a mídia cerca uma pessoa de mimos e diz que tal pessoa é cool!Quando se trata de um escritor a bajulação às vezes é bem nojenta e desproporcional.

Mas no caso de Philip Roth, me dei mal, pois ele realmente é genial e cool. O livro é uma sessão de psicanálise freudiana de um homem judeu que tem fixação por bocetas. Não fixação por mulher, mas por bocetas. Divertidíssimo.

O livro foi escrito em 1969 no auge da revolução social e sexual que permeava todo um movimento de contestação aos valores da velha ordem.

No divã, Portnoy fala de sua infância, de sua mãe controladora, de seu pai subserviente e vendedor de seguros, de sua irmã inexpressiva e do ambiente repressor que marcou sua infância e adolescência e das descobertas do sexo.

O livro parece, todo ele, uma piada de judeu e tem passagens engraçadíssimas mas também desperta compaixão pois o advogado judeu Alex Portnoy vive em conflito entre a razão e o desejo, entre ser um bom menino judeu e um homem livre das amarras sociais e familiares.

Eu AMEI esse livro. Por causa dele, descobri que minha mãe é judia!! Aliás, como alguém escreveu na Folha esses dias, não lembro quem, e o meu computador está tão ruim que não me permite pesquisar, a mãe baiana ainda não foi devidamente estudada e eu, particularmente tenho dúvida se a mãe judia é páreo para ela. Para a minha, pelo menos, não é. A minha está pau-a-pau (com perdão da má e ótima palavra) com a mãe da personagem. Ou seja: minha mãe é uma personagem! Não que a gente já não soubesse...

Trechos

"Afinal , eu pergunto, para que serviam todas aquelas proibições e regras alimentares, se não para nos ensinar – a nós criancinhas judias – a nos reprimirmos? Uma questão de prática, meu bem, prática, prática, prática. Inibição não dá em árvore, você sabe – precisa de paciência, concentração, uma mãe dedicada, com espírito de sacrifício, e uma criança esforçada e atenta, para criar, em apenas uns poucos anos, um ser humano realmente reprimido e cagão."

"Pois, se minha mãe, só para lembrar o senhor, quando voltei de minha aventura na Europa no verão passado, me saudou ao telefone assim: “E então, como está o meu namorado?” Ela me chama de namorado, quando o marido está escutando na extensão! Não, com essa gente não precisa ficar escavando as profundezas – o inconsciente delas está estampado na testa!"

"Mas quem, algum dia, ganhou uma discussão com um pau duro? Quando a pica se levanta, o cérebro se enterra no chão! Quando a pica salta, o cérebro fica praticamente morto!"

"Que trepada fantástica! Que golpe de sorte! E ainda por cima agora percebo que ela é um ser humano – sim, tudo indica que ela talvez seja! Um ser humano! Que pode ser amado!"



Escrito por Lio às 14h45
[] [envie esta mensagem] []



AMANTES

Eu gostei do filme “Amantes”. Não é maravilhoso. Mas é um bom filme. Gosto de Joaquim Phoenix. Acho um ótimo ator. E sexy. Porque faz papéis de homens perturbados, inquietos, problemáticos... talvez  ele mesmo.  E quem não gosta de um (ou uma) problemático? Todo mundo. A gente gosta porque quer consertar. Temos isso de consertar. Não apenas mudar a pessoa ou o mundo. Mas, consertar. Pegamos um interesse por um cara que se veste mal apenas para fazê-lo se vestir bem. Se ele aceita, perde-se o interesse. Se ele bate o pé e  não muda, não aceita “ser consertado” bom, aí é paixão total porque somos muito besta mesmo.

 

No filme, o personagem de Joaquim Phoenix é perturbado, inquieto, problemático, triste, desiludido, suicida, bipolar, depressivo enfim, um fofo...(hahahaha) e entre a mulher certinha aprovada pelos pais e a mulher linda mas maluca, vampira  energética e vampira sanguessuga ele se apaixona perdidamente por quem? Por quem? .... É claro que pela maluca que ele quer mudar e consertar. E salvar, evidentemente, porque a paixão também tem a pretensão de salvar dos perigos do mundo: da droga, do homem casado, da falta de dinheiro, dos problemas familiares, etc

 

É um clichê e no cinema é interessante. Vejo esse clichê repetir-se constantemente na vida real com pessoas que conheço. Homens principalmente. Essa coisa de salvar é bem masculina, eu acho. Nós, mulheres, queremos “apenas” mudar e se der, consertar. Colocar do nosso jeitinho. Não queremos salvar. Queremos ser salvas. Pelo príncipe encantado. Mas no Brasil estamos mal de príncipe. O homem que faz sucesso é José Mayer. Eu acho ele feio e cafona. Só a carência coletiva explica. Prefiro a beleza transtornada de Joaquim Phoenix e que é uma beleza duvidosa: afinal, é um feio que embeleza os personagens ou é um bonito que deixa os personagens feios interessantes? Ninguém sabe, é um mistério...

 

De concreto, é que ele apareceu horroroso no programa de Dave Letterman no início do ano, com uma barba enorme e desgrenhada, de óculos escuros, parecendo sujo e maltrapilho para divulgar esse mesmo filme e se recusou a responder perguntas que não fossem referentes ao filme, disse que era o último filme da carreira e que ia virar cantor de hip hop. Dei muita risada. Adorei. Já gostava dele por causa de Johnny and June em que ele fez o papel de Johnny Cash e virei a maior fã com a entrevista e claro, deu uma vontade básica de “conserta-lo”. Seria uma deliciosa empreitada. Ou um embate delicioso, para ser mais precisa.

 

Sinopse: Leonard Kraditor (Joaquin Phoenix) já tentou o suicídio diversas vezes. Ele não se recuperou do fim do noivado há dois anos, devido a uma doença, que ele e sua noiva possuíam, que faria com que seus filhos falecessem antes de completar um ano de vida. Seus pais, Reuben (Moni Moshonov) e Ruth (Isabella Rossellini), vivem preocupados com o filho e tentam fazer com que namore Sandra Cohen (Vinessa Shaw), filha de um casal amigo. Os dois se conhecem em um jantar na casa dos Kraditor, mantendo contato a partir de então. Dias depois Leonard conhece Michelle Rausch (Gwyneth Paltrow), sua vizinha, que está refugiada no corredor para evitar o mau humor de seu pai. Leonard oferece estadia em sua casa até que ele se acalme e logo demonstra interesse nela. Entretanto Michelle namora um homem casado, que sempre lhe promete que deixará a família mas nunca cumpre, e ainda tem problemas com drogas. Esta situação faz com que Leonard tenha que se decidir entre a paixão



Escrito por Lio às 12h18
[] [envie esta mensagem] []



SEMPRE

      

Na vitória e na derrota.



Escrito por Lio às 22h04
[] [envie esta mensagem] []



SLAM e DIVÓRCIO EM BUDA

          

Slam, livro do sempre divertido Nick Hornby é muito bom para quem é ou tem filho adolescente. Eu achei chato a maior parte do tempo, com uma ou outra coisinha interessante. Slam é a história de um adolescente fã de skate, daí o nome do livro que significa tombo na gíria do skate, que repete a história dos pais e vira pai adolescente.

Com todas as referências pop que o autor adora, o livro fica muito aquém dos trabalhos anteriores dele mas pode virar um bom filme, como os todos os outros.

Já Divórcio em Buda é um livro maravilhoso do maravilhoso Sándor Márai, mesmo autor de De verdade igualmente maravilhoso. Sándor Márai é uma descoberta recente e espero ler todos os livros dele. Sou capaz de aprender húngaro para não perder a oportunidade de vivenciar uma leitura que fala da alma humana de uma maneira simples e profunda. Ele tem uma escrita elegante, de uma melancolia sofisticada e nos apresenta um juiz, o juiz Kömives. Um homem íntegro, correto, honesto, imparcial, que reflete sobre o mundo as vésperas de uma guerra e sobre a decomposição da sociedade húngara dividida em Buda e Peste.

Conhecemos profundamente o juiz com a descrição minuciosa de Sándor Márai. Conhecemos e admiramos a força da sua convicção e as suas dúvidas. Um personagem mais do que interessante, um personagem fascinante.

O juiz está prestes a julgar o divórcio de um casal seu conhecido e o encontro dele com o marido é o centro do romance.

O impacto das revelações explica a angústia do personagem do juiz e o seu mal-estar existencial.

Livro excelente sobre as relações humanas e o mistério do amor.

Durante e depois da leitura tive inveja. Fiquei pensando que houve uma época em algum lugar do mundo, talvez até aqui mesmo, em que o juiz era alguém com uma missão: a missão de julgar os conflitos com imparcialidade. De ser um homem correto. Mais correto do que todo mundo, acima das vaidades, com um senso cívico do dever e a vontade de servir a sociedade com um salário modesto. Tive uma vontade enorme de comprar o livro e enviar de presente para Gilmar Mendes. Mas seria inútil, ele não se reconheceria como o contrário do juiz Kömives e tendo acompanhado pela TV a sessão que inocentou o ex-ministro Antonio Palocci, senti V.A. por ele. (V.A.=Vergonha alheia)

Trecho:

"Quem poderia fotografar, registrar, tatear o instante em que algo se rompe entre duas pessoas? Quando aconteceu? De noite, enquanto dormíamos? No almoço, enquanto comíamos? Agora, quando vim ao consultório? Ou muito, muito tempo atrás, apenas não percebemos? E continuamos a viver, a falar, a nos beijar, a dormir juntos, a procurar a mão do outro, o olhar do outro, como bonecos animados que continuam a se movimentar ruidosamente por um tempo, mesmo estando a mola do seu mecanismo quebrada... O cabelo e as unhas do morto continuam a crescer, talvez as células nervosas ainda sobrevivam quando os glóbulos vermelhos já estão mortos... Nada sabemos. O que posso fazer agora? Que refletor devo acender para encontrar nessa escuridão, nessa trama, aquele momento único, aquele milésimo de segundo em que algo cessa entre duas pessoas?"



Escrito por Lio às 18h32
[] [envie esta mensagem] []



DARTANHAN

     

Gosto de cachorros. Na foto. De longe. Cachorro incomoda: late, lambe, cheira e morde. Acho que também fede. Fico tensa quando visito alguém que tem cachorro. Não relaxo. Mas, fui visitar uma amiga que não via há muito tempo em São Paulo na semana passada e ela tem um cachorro, o Dartanhan. Cheguei, ele cheirou e eu fiquei toda tensa tentando disfarçar. Dei o clássico desprezo. E ele ficou me olhando, olhando, encostou, fez graça, se exibiu, tentando me conquistar, totalmente entregue e  apaixonado! Assim, do nada. Fiquei tocada e emocionada e finalmente entendi quem tem cachorro. Acho que nunca chegarei a ter um mas, definitivamente Dartanhan foi a minha maior descoberta em anos e uma emoção que não sinto por nada nem ninguém há algum tempo. Obrigada Dartanhan, o lindo e fofíssimo cachorrinho de minha amiga Rosa Maria.



Escrito por Lio às 10h45
[] [envie esta mensagem] []



CORAÇÃO VAGABUNDO

O documentário Coração Vagabundo sobre Caetano Veloso é maravilhoso. OK, OK, eu sou suspeita. Adoro Caetano. O filme não é sobre a vida dele. É sobre um momento apenas da vida dele. Um momento em que ele está viajando pelo mundo com um show e que se confessa triste e infeliz. Melancólico.Cada vez mais lindo e cantando melhor.

 

Gosto de Caetano desde o dia em que o vi pela primeira vez na TV justo quando ele apareceu no Festival de Música da TV Record. Sou antiga. Das antigas.

 

Ele é o maior compositor e cantor do Brasil. Para mim, ninguém canta o amor como ele. Na alegria e na tristeza do amor ele tem música para tudo.

 

E ele fala. Muito. Sobre tudo. Quem fala muito sobre tudo, fala besteira. Eu gosto disso porque é uma pessoa pública que se posiciona, que tem opinião, que se expressa, que não fica em cima do muro, que não foge dos questionamentos, que arrisca, que enfrenta, que sente, que ainda sente paixão pela polêmica, que não se acomodou, enfim... é Caetano.

 

Que além de compor e cantar, dirigiu um filme e escreveu um livro. O filme, Cinema Falado, é mais ou menos. Foi no auge da paixão por Paula. A insuportável Paula (ciúmes...). O livro, Verdade Tropical, é muito bom.

 

Caetano sempre esteve à frente do seu tempo. Sempre foi inovador e criativo. Sempre foi talentoso e teve coragem de experimentar novos caminhos. Sem medo das críticas. O trabalho atual pode não ser canções geniais como as do passado mas, são canções honestas que tocam o coração de maneira definitiva.

 

Coração Vagabundo é uma pequena exposição de Caetano. Lembrei de quando fui morar em Salvador e o vi pela primeira vez no verão. Lindo, uma aparição. A partir daí, passei a vê-lo em todos os lugares todos os verões. Aguardava ansiosamente os verões. O verão só começava quando ele chegava. Bons tempos. Ainda hoje o vejo nos lugares porque ele sempre vai a todos os lugares. Sempre foi. Sem seguranças. Sem afetação. Simplesmente sendo Caetano. Encantador.

 

Sobre o documentário, o diretor vendeu uma cena de Caetano nu. Mais, como sendo uma concessão de Paula, a generosa, a magnânima... É uma propaganda enganosa. Não é um nu frontal como eu e minhas amigas esperávamos. Aliás, esperamos até quase fechar o cinema. Na verdade, a cena é de lado e não aparece nada! Isso que dá confiar na generosidade de Paula...

 

Tudo bem. Já vi Caetano nu, no de livro de Vânia Toledo, fotógrafa paulista.

 

Mas é verdade que ele está nu no sentido de mostrar timidez e uma certa fragilidade. E está mais lindo do que nunca.

 

Imperdível para fãs.



Escrito por Lio às 16h54
[] [envie esta mensagem] []



O OUTONO DO PATRIARCA

Reprodução autorizada pelo autor

 

MARCO ANTONIO VILLA

 

O presidente Lula tem razão: Sarney não é igual à maioria dos brasileiros. Ainda bem. Quem é Sarney? Ele é o símbolo maior do atraso.

 

NA PRESIDÊNCIA do Senado, José Sarney conseguiu o impossível: ser pior do que alguns dos seus antecessores, como Antonio Carlos Magalhães, Jader Barbalho e Renan Calheiros, que acabaram defenestrados. Todos negaram as acusações que pesavam sobre eles. Pareciam inabaláveis, tal qual Sarney.
Porém, o velho coronel do Maranhão está conseguindo se manter no cargo por mais tempo do que seus velhos amigos. Afinal, como disse o presidente Lula, ele não é igual a nós, ele tem uma história. Lula tem razão: Sarney não é igual à maioria dos brasileiros. Ainda bem. Quem é Sarney? José Ribamar Ferreira de Araújo Costa nasceu em 1930, ano da revolução que mudou o Brasil. Paradoxalmente, ele é o símbolo maior do atraso, do passado que nunca passa, da antirrevolução.
Fez a pequena política local até chegar, em 1958, ao Rio de Janeiro, como deputado federal, ainda jovem, eleito pela UDN. Participou pouco dos debates, nunca foi um bom orador. A voz soava mal, as ideias eram ultrapassadas e sem nenhuma novidade, o raciocínio era lento e era pobre sua linguagem gestual. Não tinha nada que o destacasse.
Na grave conjuntura de 1963-1964, raramente apareceu nos debates. Omitiu-se. Preferiu as sombras, aguardando hora mais tranquila. Candidatou-se ao governo do Maranhão em 1965 e venceu com o apoio dos novos donos do poder, os militares. Depois foi para o Senado -e lá ficou por quase 15 anos.
Se consultarmos os anais daquela Casa, raramente veremos Sarney participando de um debate. A sua preocupação central não eram os grandes problemas nacionais, nada disso. Seu pensamento e sua ação política estavam na província. Controlava as nomeações e os recursos orçamentários. Dessa forma, conservou sua força política local graças à influência que mantinha na capital federal.
Mas o coronel era hábil. Não queria ser um novo Vitorino Freire, o mandão que o antecedeu. Buscou dar um verniz intelectual ao poder discricionário que exercia na província. Isso pode explicar a publicação de romances e contos, a entrada para a Academia Brasileira de Letras e o estabelecimento de amplo círculo de relações sociais com intelectuais e jornalistas.
No Sul do país mostrava seu lado cosmopolita, falando de poesia e filosofia. Na província voltava ao natural, não precisava de nenhum figurino: era o senhor do baraço e do cutelo. Que digam os oposicionistas -e foram tantos- que sofreram a violência do mandão local. Lá, durante mais de 40 anos de poder, o interesse público nunca esteve separado do interesse da família Sarney e de sua parentela.
Por um acaso da história, acabou presidente da República. Durante os comícios da Aliança Democrática, em 1984, ficava escondido no palanque. Quando era anunciada a sua presença, era vaiado impiedosamente. Afinal, servira fielmente o regime militar por 20 anos.
A sua Presidência foi um desastre completo. Três planos de estabilização econômica. E todos fracassaram. Terminou o governo com a inflação próxima de uma taxa de 100% ao mês. Omitiu-se quanto aos principais problemas. No ocaso do governo foi instalada no Congresso Nacional uma CPI para apurar casos de corrupção, com graves acusações à gestão presidencial e a sua família, em especial seu genro, Jorge Murad.
O desprestígio era tão acentuado que nenhum candidato às eleições presidenciais de 1989 -e eram mais de uma dúzia- buscou seu apoio. Mas o oligarca sobreviveu. Buscou um mandato de senador no recém-criado Amapá. Precisava como nunca da imunidade parlamentar.
O tempo passou e a memória nacional foi se apagando, como sempre. O oligarca, em uma curiosa metamorfose, transformou-se em estadista. Encontraram até qualidades no seu período presidencial. Não tinha sido um indeciso. Não, nada disso. Fora um conciliador, avalista da transição para a democracia.
No governo Lula, mandou mais do que na sua Presidência. Conseguiu até depor o governador Jackson Lago, que teve a ousadia de vencer nas urnas a sua filha. A sua cunhada, presidente do TRE, anulou a eleição e, pior, obteve a chancela do TSE.
Contudo, não há farsa que perdure na história. O que foi revelado pela mídia nacional não é nenhuma novidade para os maranhenses. Lá, o rei está nu há muito tempo.
No encerramento do semestre legislativo, Sarney discursou para um plenário vazio. Não houve palmas ou apupos. Desceu e caminhou pelo corredor, silenciosamente. Nas galerias não havia um simples espectador. O velho oligarca estava só. Parou e, como se dissesse adeus, dirigiu-se para seu gabinete: a tragicomédia está chegando ao fim.

MARCO ANTONIO VILLA, 54, é professor de história da UFScar (Universidade Federal de São Carlos) e autor, entre outros livros, de "Jango, um Perfil".



Escrito por Lio às 20h21
[] [envie esta mensagem] []



A FESTA DA MENINA MORTA

Novamente, não sabia muito sobre o filme. Sabia apenas que é o primeiro filme de Matheus Nachtergaele, um ótimo ator, amigo de uma amiga. Logo no início, fiquei de má vontade. Cismei com os atores. Todos os que não gosto, com os quais não simpatizo: Daniel Oliveira, Jackson Antunes, Dira Paes, etc. Atores globais. Não é que acho que não são bons atores. Simpatia pessoal mesmo. Nem conheço nenhum deles e não vejo novelas desde a Força de um Desejo que adorava. Adoro novela de época. Voltando ao filme, cismei também com as cenas soltas no começo. Talvez mal acostumada com o cinema brasileiro atual com comédias e documentários (por falar nisso, quem aguenta mais tanto documentário? E com o nosso dinheiro! Vai ter até um sobre Pelé. Quem ainda não conhece a vida de Pelé de trás pra frente? Que falta de criatividade e que oportunismo. Enchi. Vou ver o de Caetano e chega!) tudo muito leve, fácil e divertido,  cheguei a odiar o filme no comecinho. Mas, dando o desconto de que é o primeiro trabalho como diretor, o filme é maravilhoso. Não é fácil. Incomoda. Incomoda porque não conhecemos o Brasil, porque a realidade nos confins do nosso país nos é desconhecida,  incomoda tanta ignorância, o abandono das pessoas, da Amazônia, de um Brasil profundo por mais clichê que possa parecer essa expressão, incomoda a fé cega, incomoda as crenças populares, tão distantes de nós, urbanos e supostamente bem informados. Incomoda o filme não ser óbvio, não falar de pobreza  enfim, ser um filme brasileiro diferente.

Adorei. Gostei muito mesmo. O cinema não existe apenas para divertir e contar histórias. Existe também para refletir. É um filme impressionante. Uma história contada com carinho, singeleza, verdade, humanidade e sofrimento. As cenas soltas são alertas visuais de um mundo que não conhecemos e que vai acabar.

Daniel Oliveira está espetacular. Poucas vezes vi um processo tão convincente de transformação de um ator num personagem. Todos os atores estão excelentes mas o trabalho de Daniel Oliveira é perfeito. Confesso que estava esperando um  novo Cazuza. Errei feio. Desculpe, parabéns e obrigada.

Gostei também de no final, ao som da música do filme, cantada lindamente pelo próprio Daniel Oliveira, os 'créditos'  não ter esquecido de absolutamente ninguém. Muito bom. 'Créditos'  enorme mas com um sentimento de gratidão. Achei muito bonito. Adoro gratidão. Adoro quem tem gratidão.

Sinopse: Todos os anos, há duas décadas, a cidade celebra a festa da menina morta, quando a cidade recebe peregrinos que desejam obter a benção de um jovem santo, conhecido como Santinho, que recebeu esses poderes após o suicídio  da mãe, quando recebeu em suas mãos, da boca de um cachorro, os trapos do vestido de uma menina desaparecida que todos os anos fala pela boca do santo em transe.



Escrito por Lio às 14h59
[] [envie esta mensagem] []



DESEJO E PERIGO

Vá entender a mente dos distribuidores de cinema. Enquanto A Partida está em um único cinema, Desejo e Perigo saiu de cartaz rapidamente (!!). Um filme excelente. Também um dos melhores que já vi. Para variar, li a sinopse e esqueci. Chegando lá, depois dos ingressos comprados, ficamos sabemos que tinha guerra e com quase três horas de duração. Irritação e receio. Melhor relaxar. Até porque, Inês lembrou que leu que tinha sexo explícito. O que não é garantia de nada mas, pelo menos anima. E... surpresa! O filme não é exatamente sobre guerra e é tão bom que não dá para notar que é tão longo. É um filme político e uma história de amor. Bem daquelas que eu gosto com o amor nascendo e vivendo do sexo. Além do mais, proibido e perigoso. Tudo é muito intenso e as cenas de sexo realmente são sensacionais, reais e eróticas. Nem sempre sexo explícito no cinema se traduz em erotismo mas nesse, sim.  Também é tenso do começo ao fim, com cenas de violência fortes. Tudo tem a ver. O desejo e a vontade. O desejo não obedecendo a razão, seguindo um caminho próprio, independente. A questão toda é: podemos amar quem odiamos? Yes, we can.

Um filme para se ver uma segunda vez, várias vezes, pois tem segredos ocultos. Bem produzido e fotografado, é de uma beleza imensa. Muito lindo.

Sinopse: Wang Jiazhi (Wei Tang) é uma jovem chinesa que entra na faculdade durante o período de ocupação japonesa, na 2ª Guerra Mundial. Lá ela participa de um grupo de teatro patriótico, tornando-se rapidamente a artista principal. Entretanto os planos do grupo são mais ambiciosos. Eles decidem assassinar o sr. Yee (Tony Leung Chiu Wai), um colaborador do lado japonês. Wang, então, se transforma em Mak, a fictícia esposa de um mercador. Sua função é se tornar amante do sr. Yee, para facilitar a ação do grupo.



Escrito por Lio às 13h11
[] [envie esta mensagem] []




[ página principal ] [ ver mensagens anteriores ]